segunda-feira, 19 de setembro de 2011

O MULATO
(Aluísio de Azevedo)
ESTUDO DA OBRA
I – Episódio
O núcleo narrativo é o caso amoroso entre Raimundo e sua prima Ana Rosa. Surge um obstáculo:
O preconceito racial da família da moça e de toda a sociedade maranhense, pois Raimundo é mulato.
II – Cenário
O episódio se passa em São Luís do Maranhão, em fins do século XIX.
O livro começa e termina pela descrição do quadro que emoldura a história:
no capítulo I, o leitor – como num lento passeio com câmara - percorre ruas e praças calorentas, até chegar à casa de Manuel Pescada, espécie de ponto central do cenário;
no capítulo final, percebe-se o desfecho através das particularidades de um baile onde estão presentes os membros da sociedade maranhense.
A descrição inicial situa a casa do pai de Ana Rosa geográfica e socialmente, pois a família sofre a influência de tudo o que ocorre em volta. O padrinho de Ana Rosa, e conselheiro respeitado por todos, é o cônego Diogo. Sociedade e autoridades eclesiásticas determinam as regras a que todos devem obedecer.
É o preconceito racial da sociedade maranhense que impede a união do par central. Percebe-se que a posição do narrador é de crítica a tal conservadorismo.
Os costumes sociais recebem extensas e vivas páginas de descrições, como: reuniões familiares, festas religiosas ou populares e enterro (D. Maria do Carmo)
A beleza da paisagem também é descrita e analisada numa visão cientificista.
Então, percebe-se que os dois aspectos do cenário, o quadro social e a natureza são elementos que interferem no sentimento e na ação das personagens.
III – Duração
Há no romance um jogo temporal que intercala presente e passado ou seja:
um episódio que se desenvolve linearmente, com começo, meio e fim;
outro, apresenta deslocamentos cronológicos voltando a fatos que explicam particularidades relativas ao episódio ou às personagens.
Então o episódio decorreu num tempo aproximado de um ano, mas o epílogo (o baile seis anos depois) revela o destino das demais personagens.
IV – Personagens
As figuras humanas são retratadas em dois níveis:
De modo completo, com diversos traços, com um perfil psicológico, como personagens propriamente ditas: o par central (Raimundo e Ana Rosa), o pai, o padrinho (cônego Diogo), a avó de Ana Rosa (D. Maria Bárbara) e Dias (pretendente de Ana Rosa);
De modo superficial, com ligeiras pinceladas, como tipos ou caricaturas.
V - Foco Narrativo
A história é narrada na 3ª pessoa. É o narrador quem “mostra” ou “conta” os fatos, tanto do presente, como do passado. Ele conhece e domina todos os acontecimentos e todos os pensamentos das personagens. Trata-se de um narrador observador e onisciente.
VI – Estilo
O Mulato relata um caso de “amor” em que:
As convenções sociais, o preconceito, o conservadorismo vencem o sentimento (amor) das personagens;
Entre o “Bem” e o “Mal”, este é vitorioso;
O “vilão”, o mau padre D. Diogo elimina o mocinho;
O “mocinho” é desprezado por todos, enquanto que o “vilão” é admirado (respeitado);
A “mocinha” desposa o cúmplice do “vilão”.
As constatações acima mostram que as personagens não podem
escolher seu próprio destino, pois ele é decidido por fatores alheios à sua vontade. As vidas humanas são joguetes do meio, dos instintos, da época, fato que caracteriza a obra como um romance naturalista.
Apesar do toque romântico, é a visão naturalista do mundo que prevalece: não é o amor, mas a pressão social que vence – não é a Ana Rosa sonhadora, mas uma pacata senhora que o leitor encontra nas páginas finais. Além do mais, ao longo da narrativa, Raimundo revela conhecimentos científicos.
VII - Enredo
O autor inicia o romance descrevendo a cidade de São Luís do Maranhão, como entorpecida pelo calor, atmosfera abafada, sem viva alma em muitos lugares, com exceção da região comercial, a Praia Grande e a Rua da Estrela. Em seguida fala sobre o viúvo, personagem Manoel Pescada, um português comerciante próspero, que mora com a filha Ana Rosa e a sogra D. Maria Bárbara em um sobrado da Rua da Estrela.
Ana Rosa é filha única e está apta para casar, mas nenhum pretendente lhe causa interesse. Ela tem em mente seguir o conselho de sua finada mãe e casar-se por amor.
Havia empregado no armazém de Manoel Pescada, um rapaz, português, de nome Luis Dias. É descrito como ativo, econômico, discreto, trabalhador, com tino comercial aguçado. Mas também como magro, macilento, um tanto baixo, curvado, testa curta.
Manoel Pescada quer fazer sua filha se casar com Dias. Ana Rosa sonha com um casamento romântico. Idealiza um herói, não alguém como Dias, com dentes sujos, avarento e movimentos de homem sem vontade própria, portanto o repele secretamente.
Nesse ambiente, chega a São Luís, um sobrinho de Manoel Pescada, o jovem e rico advogado Raimundo. Tem estatura alta, elegante, tez morena e amulatada, mas fina; Dentes claros, cabelos pretos, lustrosos e crespos e grandes olhos azuis. Regressa a São Luís depois de muitos anos na Europa. Pretende conhecer um pouco de suas raízes, vender suas terras e se mudar para o Rio de Janeiro. Hospeda-se na casa de Manoel Pescada.
Ana Rosa apaixona-se pelo primo, que corresponde a essa paixão e o pressiona a pedi-la em casamento. Quando Raimundo decide fazê-lo, encontra oposição na figura de Manoel Pescada sem desconfiar que seja por conta de seu passado.
Raimundo desconhece sua origem: era filho bastardo de José Pedro da Silva, irmão de Pescada, com uma escrava: Domingas.
José da Silva era casado com Quitéria, mulher branca e impiedosa com os escravos. Ela desconfia que o menino da escrava possa ser filho de José e é extremamente cruel com Domingas (quase chegando a assassiná-la de tantos açoites) e com o menino.
José, então, leva o filho para a casa do irmão. Quando volta à sua fazenda, flagra o adultério de Quitéria com o então jovem padre Diogo. Mata-a por impulso na presença do padre, que muito manipulador consegue escapar da ira de José, ameaçando-o de contar a todos sobre o assassinato.
Porém mais tarde, José da Silva sofre uma emboscada durante uma viagem e é assassinado pelo padre.
Padre Diogo é muito respeitado na cidade, é compadre de Manoel Pescada, padrinho de Ana Rosa, é o vilão da historia. Extremamente astuto e manipulador, chega a se valer das confissões dos fiéis em benefício de seus próprios interesses.
Raimundo exige que Manoel Pescada lhe conte sobre o seu passado. Sabe que não é aceito devido à sua origem negra. Ana Rosa não se importa com a negritude do amado, quer Raimundo como marido, entrega-se a ele, engravida. Planejam uma fuga, porém o cônego Diogo consegue ardilosamente impedir.
Ana Rosa assume a gravidez perante a família, exigindo a aceitação do casamento com Raimundo. O Padre intervém na confusão e pede calma. Raimundo vai para casa. O padre manipula Luis Dias, dizendo que Raimundo é o único obstáculo para seu casamento com Ana Rosa, convence-o de que deve eliminá-lo. Raimundo é morto por Luis Dias. Ana Rosa, ao saber da morte, aborta o filho.
Os anos passam, Ana Rosa casa-se com Dias e têm 3 filhos, parecem levar uma vida feliz e próspera.

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