GABARITO: CONEXÃO DO PRONOME RELATIVO
1ª QUESTÃO
a) O rapaz quem/ o qual esperávamos chegou atrasado.
b) A cor que/ a qual me agrada é azul.
c) A ajuda com que/ com a qual contávamos não chegou.
d) A quantia de que/ da qual precisamos é muito grande.
e) O problema a que/ ao qual me referi é o número três.
f) O bairro onde/ em que/ no qual moro é muito perigoso.
g) O engenheiro para quem/ para o qual trabalho fez um trabalho genial.
h) Os ideais por que / pelos quais lutei eram vazios.
i) A mulher sem quem/ sem a qual não posso viver me abandonou.
j) O juiz perante quem/ perante o qual compareci me absolveu.
k) O político contra quem: contra o qual lutei merece respeito.
l) O campo cujas linhas foram pintadas está careca.
m) O rapaz cuja honestidade foi questionada mostrou-se honrado.
n) O sapato cujo salto se soltou é de cromo.
o) O tio em cuja casa me hospedei sempre me protegeu.
p) A agulha com cuja ponta furei a bolha apareceu em boa hora.
q) A menina de cujos pais tenho saudades me trouxe lembranças de Minas.
r) A região a cujas plantações me referi fica no extremo sul do país.
s) O tribunal a cujas barras fui arrastado reconheceu-me inocente.
t) O professor contra cujas idéias me levantei reconheceu seus erros.
u) Está em ruínas a igreja diante de cujo altar jurei voto de castidade.
v) Já lhe posso emprestar o livro por meio de cujos ensinamentos resolvi todos os problemas.
w) Aquele templo debaixo de cujo telhado fiz minhas orações sempre me trouxe paz de espírito.
x) A mansão dentro de cujos muros passamos as férias está à venda.
y) Agora desprezo a mulher por causa de cujos beijos fiz loucuras.
z) A sua música de cujos acordes gostei caiu no gosto popular.
2ª QUESTÃO
a) que/ o qual
b) que/ o qual
c) que/ o qual
d) com que/ com a qual
e) de que/ da qual
f) a que/ ao qual
g) de que/ Da qual
h) onde/ em que/ na qual
i) cujos
j) com cujo
k) em cujo
l) cujos
m) cujo
n) de cujo
o) a cujas
p) na qual
q) cujo
r) cujas
s) que/ o qual
t) em cujos
u) cujos
v) cujo
w) o qual
x) que
y) onde/ em que/na qual
z) a quem/ à qual.
quinta-feira, 20 de maio de 2010
domingo, 2 de maio de 2010
PRONOMES RELATIVOS – CONEXÃO
1. Subordine a 2ª oração à 1ª, utilizando-se de pronome relativo como conectivo:
a) O rapaz chegou atrasado. Esperávamos o rapaz.
b) A cor é azul. A cor agrada-me.
c) A ajuda não chegou. Contávamos com a ajuda.
d) A quantia é muito grande. Precisamos da quantia.
e) O problema é o número três. Referi-me ao problema.
f) O bairro é muito perigoso. Moro no bairro.
g) O engenheiro fez um trabalho genial. Trabalho para o engenheiro.
h) Os ideais eram vazios. Lutei pelos ideais.
i) A mulher me abandonou. Não posso viver sem ela.
j) O juiz me absolveu. Compareci perante o juiz.
k) O político merece respeito. Lutei contra o político.
l) O campo está careca. As linhas do campo foram pintadas.
m) O rapaz mostrou-se honrado. A honestidade do rapaz foi questionada.
n) O sapato é de cromo. O salto do sapato se soltou.
o) O tio sempre me protegeu. Hospedei-me na casa dele.
p) A agulha apareceu em boa hora. Furei a bolha com a ponta da agulha.
q) A menina trouxe-me lembranças de Minas. Tenho saudades dos pais da menina.
r) A região fica no extremo sul do país. Referi-me às plantações da região.
s) O tribunal reconheceu-me inocente. Fui arrastado às barras do tribunal.
t) O professor reconheceu seus erros. Levantei-me contra as ideias dele.
u) Está em ruínas a igreja. Jurei voto de castidade diante do altar da igreja.
v) Já lhe posso emprestar o livro. Resolvi todos os problemas por meio dos ensinamentos do livro.
w) Aquele templo sempre me trouxe paz de espírito. Debaixo do telhado do templo fiz minhas orações.
x) A mansão está à venda. Passamos as férias dentro dos muros da mansão.
y) Agora desprezo a mulher. Fiz loucuras por causa dos beijos da mulher.
z) A sua música pode cair no gosto popular. Gostei dos acordes da sua música.
2. Preencha as lacunas com o pronome relativo adequado (preposicionado ou não):
a) Achei o livro ..........procuramos tanto.
b) Eis o homem .......... te procurou.
c) Aqui está o projeto .......... me pediste.
d) Esta é a proposta .......... concordo.
e) Este é o assunto .......... discordo.
f) O livro .......... aludi é de Manuel Bandeira.
g) A viagem .......... desisti me era impossível.
h) O município ......... moro tem problemas de difícil resolução.
i) A moça ..........olhos me enfeitiçaram me brindou com um sorriso promissor.
j) Os funcionários .......... opinião contávamos não se pronunciaram.
k) A religião ......... seio me criei me conforta nos momentos difíceis.
l) O seu cabelo, .......... fios estão opacos e quebradiços, precisa de um tratamento adequado.
m) O livro .......... título esqueci me faz falta.
n) O livro .......... título me esqueci me faz falta.
o) O jato .......... qualidades fez referência já está sendo exportado pela Embraer.
p) A camisa .......... faltam botões é a azul.
q) O goleiro .......... vôo evitou o gol vai chegar à seleção.
r) O nome .......... letras de forma formam o anagrama AMÉRICA é Iracema.
s) O sorriso .......... colhi em seus lábios foi enganoso.
t) As árvores .......... galhos se escondem vários animais têm mais de cem anos.
u) O cão .......... dentes me rasgaram as calças me causou grande medo.
v) O livro Mar Morto .......... autor é uma das glórias nacionais, focaliza a vida dos homens do cais.
w) O representante da turma .......... me visitou propôs uma festa de formatura. (O representante me visitou)
x) O representante da turma .......... me visitou propôs uma festa de formatura. (A turma me visitou)
y) Na região .......... habito faz muito frio no inverno.
z) A jovem mulher ........ respeito muito é a minha grande paixão.
3. Dê o valor sintático dos pronomes relativos das questões 1 e 2.
1. Subordine a 2ª oração à 1ª, utilizando-se de pronome relativo como conectivo:
a) O rapaz chegou atrasado. Esperávamos o rapaz.
b) A cor é azul. A cor agrada-me.
c) A ajuda não chegou. Contávamos com a ajuda.
d) A quantia é muito grande. Precisamos da quantia.
e) O problema é o número três. Referi-me ao problema.
f) O bairro é muito perigoso. Moro no bairro.
g) O engenheiro fez um trabalho genial. Trabalho para o engenheiro.
h) Os ideais eram vazios. Lutei pelos ideais.
i) A mulher me abandonou. Não posso viver sem ela.
j) O juiz me absolveu. Compareci perante o juiz.
k) O político merece respeito. Lutei contra o político.
l) O campo está careca. As linhas do campo foram pintadas.
m) O rapaz mostrou-se honrado. A honestidade do rapaz foi questionada.
n) O sapato é de cromo. O salto do sapato se soltou.
o) O tio sempre me protegeu. Hospedei-me na casa dele.
p) A agulha apareceu em boa hora. Furei a bolha com a ponta da agulha.
q) A menina trouxe-me lembranças de Minas. Tenho saudades dos pais da menina.
r) A região fica no extremo sul do país. Referi-me às plantações da região.
s) O tribunal reconheceu-me inocente. Fui arrastado às barras do tribunal.
t) O professor reconheceu seus erros. Levantei-me contra as ideias dele.
u) Está em ruínas a igreja. Jurei voto de castidade diante do altar da igreja.
v) Já lhe posso emprestar o livro. Resolvi todos os problemas por meio dos ensinamentos do livro.
w) Aquele templo sempre me trouxe paz de espírito. Debaixo do telhado do templo fiz minhas orações.
x) A mansão está à venda. Passamos as férias dentro dos muros da mansão.
y) Agora desprezo a mulher. Fiz loucuras por causa dos beijos da mulher.
z) A sua música pode cair no gosto popular. Gostei dos acordes da sua música.
2. Preencha as lacunas com o pronome relativo adequado (preposicionado ou não):
a) Achei o livro ..........procuramos tanto.
b) Eis o homem .......... te procurou.
c) Aqui está o projeto .......... me pediste.
d) Esta é a proposta .......... concordo.
e) Este é o assunto .......... discordo.
f) O livro .......... aludi é de Manuel Bandeira.
g) A viagem .......... desisti me era impossível.
h) O município ......... moro tem problemas de difícil resolução.
i) A moça ..........olhos me enfeitiçaram me brindou com um sorriso promissor.
j) Os funcionários .......... opinião contávamos não se pronunciaram.
k) A religião ......... seio me criei me conforta nos momentos difíceis.
l) O seu cabelo, .......... fios estão opacos e quebradiços, precisa de um tratamento adequado.
m) O livro .......... título esqueci me faz falta.
n) O livro .......... título me esqueci me faz falta.
o) O jato .......... qualidades fez referência já está sendo exportado pela Embraer.
p) A camisa .......... faltam botões é a azul.
q) O goleiro .......... vôo evitou o gol vai chegar à seleção.
r) O nome .......... letras de forma formam o anagrama AMÉRICA é Iracema.
s) O sorriso .......... colhi em seus lábios foi enganoso.
t) As árvores .......... galhos se escondem vários animais têm mais de cem anos.
u) O cão .......... dentes me rasgaram as calças me causou grande medo.
v) O livro Mar Morto .......... autor é uma das glórias nacionais, focaliza a vida dos homens do cais.
w) O representante da turma .......... me visitou propôs uma festa de formatura. (O representante me visitou)
x) O representante da turma .......... me visitou propôs uma festa de formatura. (A turma me visitou)
y) Na região .......... habito faz muito frio no inverno.
z) A jovem mulher ........ respeito muito é a minha grande paixão.
3. Dê o valor sintático dos pronomes relativos das questões 1 e 2.
sábado, 1 de maio de 2010
OBRA: A DEMANDA DO SANTO GRAAL - RESUMO
A Demanda do Santo Graal corresponde, assim, à terceira parte da trilogia. A lenda, de remotas origens célticas, foi inicialmente cantada em verso, tendo Perceval como herói. A volta de 1220, em França, por influxo clerical, opera-se a prosificação da lenda, da autoria presuntiva de Gautier Map, e então Galaaz substitui Perceval.
A lenda, até então de cunho nitidamente pagão, cristianiza-se, passando seus principais símbolos (o Vaso, a Espada, o Escudo, etc.) a assumir valor místico. Com isso, em vez de aventuras marcadas por um realismo profano, tem-se a presença da ascese, traduzida no desprezo do corpo e no culto da vida espiritual, e exercida como processo de experimentação das forças físicas e morais de cada cavaleiro no sentido da Eucaristia, fim último anelado por todos. A Demanda do Santo Graal constitui-se, por isso, numa novela de cavalaria mística e simbólica. Os cavaleiros lutam por chegar à Comunhão sobrenatural, mas só um, Galaaz, a alcança. Homem "escolhido", dotado dum nome de ascendência bíblica (Galaad significa o "puro dos puros", o próprio Messias), simboliza um novo Cristo, ou um Cristo sempre vivo, em peregrinação mística pelo mundo. Próximos dele em grandeza física e moral, situam-seBoorz e Perceval, e mais distantes, embora com seu quinhão de glória, Lancelote, Tristão, Palamades, Erec, Galvão, Ivam, Estor, Morderet, Meraugis e outros.
Em síntese, A Demanda do Santo Graal contém o seguinte: em torno da "távola redonda", em Camelot, reino do Rei Artur, reúnem-se dezenas de cavaleiros. É véspera de Pentecostes. Chega uma donzela à Corte e procura porLancelote do Lago. Saem ambos e vão a uma igreja, onde Lancelote arma Galaaz cavaleiro e regressa com Boorz a Camelot. Um escudeiro anuncia o encontro de maravilhosa espada fincada numa pedra de mármore boiando n'água. Lancelote e os outros tentam arrancá-la debalde. Nisto Galaaz chega sem se fazer anunciar e ocupa a seeda perigosa (= cadeira perigosa) que estava reservada para o cavaleiro "escolhido": das 150 cadeiras, apenas faltava preencher uma, destinada a Tristão. Galaaz vai ao rio e arranca a espada do pedrão . A seguir, entregam-se ao torneio. Surge Tristão para ocupar o último assento vazio. Em meio ao repasto, os cavaleiros são alvoroçados e extasiados com a aérea aparição do Graal ( = cálice), cuja luminosidade sobrenatural os transfigura e alimenta, posto que dure só um breve momento. Galvão sugere que todos saiam à demanda (= à procura) do Santo Graal. No dia seguinte, após ouvirem missa, partem todos, cada qual por seu lado. Daí para a frente, a narração se entrelaça, se emaranha, a fim de acompanhar as desencontradas aventuras dos cavaleiros do Rei Artur, até que, ao cabo, por perecimento ou exaustão, ficam reduzidos a um peque . no número. E Galaaz, em Sarras , na plenitude do ofício religioso, tem o privilégio exclusivo de receber a presença do Santo Vaso, símbolo da Eucaristia, e, portanto, da consagração de uma vida inteira dedicada ao culto das virtudes morais, espirituais e físicas. A novela ainda continua por algumas páginas, com a narrativa do adulterino caso amoroso de Lancelote, pai de Galaaz, e de D. Ginebra, esposa do Rei Artur.
Tudo termina com a morte deste último. Tal excrescência contém o resumo de outra novela. A Morte do Rei Artur, ou La Mort le Roi Artur, novela francesa do século XIII. Justificaria sua presença como apêndice da Demanda o seguinte fato: na intricada selva da matéria cavaleiresca, havia-se formado uma trilogia, intitulada Lancelote em Prosa, que continha o Lancelote, a Demanda e A Morte do Rei Artur. Parece evidente que o tradutor português, ao executar sua tarefa, teve diante dos olhos a segunda e a terceira parte do tríptico, e resolveu resumir a última, certamente por considerá-la desnecessária à compreensão do núcleo episódico dramático da Demanda.
A Demanda corresponde precisamente à reacção da Igreja Católica contra o desvirtuamento da Cavalaria. Os cavaleiros-andantes feudais não raro acabaram por se transformar em indivíduos desocupados, quando não autênticos bandoleiros, vivendo ao sabor do acaso, amedrontando, pilhando, assaltando. A fim de trazê-los à civilização, reconvertendo-os aos bons costumes, o Concílio de Clermont , em 1095, decidiu a organização da primeira Cruzada e a correspondente formação duma cavalaria cristã. Inicia-se uma vasta pregação de ideais de altruísmo e respeito às instituições. A Demanda, cristianizando a lenda pagã do Santo Graal, colabora intimamente com o processo restaurador da Cavalaria andante: caracteriza-se por ser uma novela mística, em que se contém uma especial noção de herói antifeudal, qualificado por seu estoicismo inquebrantável e sua total ânsia da perfeição. Novela a serviço do movimento renovador do espírito cavaleiresco, em que o herói também está a serviço, não mais do senhor feudal mas de sua salvação sobrenatural, uma brisa de teologismo varre-a de ponta a ponta, o que não impede, porém, a existência de circunstanciais jactos líricos e eróticos, nem algumas notas de fantástico ou mágico, em que o real e o imaginário se cruzam de modo surpreendente. Cenas de grande tensão mística contracenam com outras dum realismo vivo e quente, em que a fortaleza de ânimo dos cavaleiros é posta à prova, como, por exemplo, o episódio no castelo do Rei Brutos, em que a filha deste, enegrecida de paixão, penetra de noite nos aposentos de Galaaz (capítulos 106-116).
Novela de alto vigor narrativo e de elevada intenção, acabou por ser o retrato definido da Idade Média mística, e o maior monumento literário que a época nos legou no campo da ficção, porquanto traduz um soberbo ideal de vida expresso de forma artisticamente superior, a ponto de alcançar um grau de perfeição estética não muito frequente na prosa do tempo.
A Demanda só foi publicada inteiramente (embora ainda com truncamentos quem sabe propositados, tendo em vista convicções morais do seu editor) em 1944, no Rio de Janeiro. O manuscrito que lhe serviu de base é o de n .I 2594, existente na Biblioteca Nacional de Viena da Áustria, e corresponde a uma das cópias da tradução e adaptação do original francês, levada a efeito no século XIII, certamente refundida em fins do XIV e princípios do XV.
Massaud Moisés, A Literatura Portuguesa
A Demanda do Santo Graal corresponde, assim, à terceira parte da trilogia. A lenda, de remotas origens célticas, foi inicialmente cantada em verso, tendo Perceval como herói. A volta de 1220, em França, por influxo clerical, opera-se a prosificação da lenda, da autoria presuntiva de Gautier Map, e então Galaaz substitui Perceval.
A lenda, até então de cunho nitidamente pagão, cristianiza-se, passando seus principais símbolos (o Vaso, a Espada, o Escudo, etc.) a assumir valor místico. Com isso, em vez de aventuras marcadas por um realismo profano, tem-se a presença da ascese, traduzida no desprezo do corpo e no culto da vida espiritual, e exercida como processo de experimentação das forças físicas e morais de cada cavaleiro no sentido da Eucaristia, fim último anelado por todos. A Demanda do Santo Graal constitui-se, por isso, numa novela de cavalaria mística e simbólica. Os cavaleiros lutam por chegar à Comunhão sobrenatural, mas só um, Galaaz, a alcança. Homem "escolhido", dotado dum nome de ascendência bíblica (Galaad significa o "puro dos puros", o próprio Messias), simboliza um novo Cristo, ou um Cristo sempre vivo, em peregrinação mística pelo mundo. Próximos dele em grandeza física e moral, situam-seBoorz e Perceval, e mais distantes, embora com seu quinhão de glória, Lancelote, Tristão, Palamades, Erec, Galvão, Ivam, Estor, Morderet, Meraugis e outros.
Em síntese, A Demanda do Santo Graal contém o seguinte: em torno da "távola redonda", em Camelot, reino do Rei Artur, reúnem-se dezenas de cavaleiros. É véspera de Pentecostes. Chega uma donzela à Corte e procura porLancelote do Lago. Saem ambos e vão a uma igreja, onde Lancelote arma Galaaz cavaleiro e regressa com Boorz a Camelot. Um escudeiro anuncia o encontro de maravilhosa espada fincada numa pedra de mármore boiando n'água. Lancelote e os outros tentam arrancá-la debalde. Nisto Galaaz chega sem se fazer anunciar e ocupa a seeda perigosa (= cadeira perigosa) que estava reservada para o cavaleiro "escolhido": das 150 cadeiras, apenas faltava preencher uma, destinada a Tristão. Galaaz vai ao rio e arranca a espada do pedrão . A seguir, entregam-se ao torneio. Surge Tristão para ocupar o último assento vazio. Em meio ao repasto, os cavaleiros são alvoroçados e extasiados com a aérea aparição do Graal ( = cálice), cuja luminosidade sobrenatural os transfigura e alimenta, posto que dure só um breve momento. Galvão sugere que todos saiam à demanda (= à procura) do Santo Graal. No dia seguinte, após ouvirem missa, partem todos, cada qual por seu lado. Daí para a frente, a narração se entrelaça, se emaranha, a fim de acompanhar as desencontradas aventuras dos cavaleiros do Rei Artur, até que, ao cabo, por perecimento ou exaustão, ficam reduzidos a um peque . no número. E Galaaz, em Sarras , na plenitude do ofício religioso, tem o privilégio exclusivo de receber a presença do Santo Vaso, símbolo da Eucaristia, e, portanto, da consagração de uma vida inteira dedicada ao culto das virtudes morais, espirituais e físicas. A novela ainda continua por algumas páginas, com a narrativa do adulterino caso amoroso de Lancelote, pai de Galaaz, e de D. Ginebra, esposa do Rei Artur.
Tudo termina com a morte deste último. Tal excrescência contém o resumo de outra novela. A Morte do Rei Artur, ou La Mort le Roi Artur, novela francesa do século XIII. Justificaria sua presença como apêndice da Demanda o seguinte fato: na intricada selva da matéria cavaleiresca, havia-se formado uma trilogia, intitulada Lancelote em Prosa, que continha o Lancelote, a Demanda e A Morte do Rei Artur. Parece evidente que o tradutor português, ao executar sua tarefa, teve diante dos olhos a segunda e a terceira parte do tríptico, e resolveu resumir a última, certamente por considerá-la desnecessária à compreensão do núcleo episódico dramático da Demanda.
A Demanda corresponde precisamente à reacção da Igreja Católica contra o desvirtuamento da Cavalaria. Os cavaleiros-andantes feudais não raro acabaram por se transformar em indivíduos desocupados, quando não autênticos bandoleiros, vivendo ao sabor do acaso, amedrontando, pilhando, assaltando. A fim de trazê-los à civilização, reconvertendo-os aos bons costumes, o Concílio de Clermont , em 1095, decidiu a organização da primeira Cruzada e a correspondente formação duma cavalaria cristã. Inicia-se uma vasta pregação de ideais de altruísmo e respeito às instituições. A Demanda, cristianizando a lenda pagã do Santo Graal, colabora intimamente com o processo restaurador da Cavalaria andante: caracteriza-se por ser uma novela mística, em que se contém uma especial noção de herói antifeudal, qualificado por seu estoicismo inquebrantável e sua total ânsia da perfeição. Novela a serviço do movimento renovador do espírito cavaleiresco, em que o herói também está a serviço, não mais do senhor feudal mas de sua salvação sobrenatural, uma brisa de teologismo varre-a de ponta a ponta, o que não impede, porém, a existência de circunstanciais jactos líricos e eróticos, nem algumas notas de fantástico ou mágico, em que o real e o imaginário se cruzam de modo surpreendente. Cenas de grande tensão mística contracenam com outras dum realismo vivo e quente, em que a fortaleza de ânimo dos cavaleiros é posta à prova, como, por exemplo, o episódio no castelo do Rei Brutos, em que a filha deste, enegrecida de paixão, penetra de noite nos aposentos de Galaaz (capítulos 106-116).
Novela de alto vigor narrativo e de elevada intenção, acabou por ser o retrato definido da Idade Média mística, e o maior monumento literário que a época nos legou no campo da ficção, porquanto traduz um soberbo ideal de vida expresso de forma artisticamente superior, a ponto de alcançar um grau de perfeição estética não muito frequente na prosa do tempo.
A Demanda só foi publicada inteiramente (embora ainda com truncamentos quem sabe propositados, tendo em vista convicções morais do seu editor) em 1944, no Rio de Janeiro. O manuscrito que lhe serviu de base é o de n .I 2594, existente na Biblioteca Nacional de Viena da Áustria, e corresponde a uma das cópias da tradução e adaptação do original francês, levada a efeito no século XIII, certamente refundida em fins do XIV e princípios do XV.
Massaud Moisés, A Literatura Portuguesa
REVISÃO
GABARITO: DEMANDA DO SANTO GRAAL
1. A obra se refere ao gênero épico, pois apresenta luta e grande heroísmo dos cavaleiros que enfrentavam quaisquer obstáculos, até mesmo a morte, para atingir o seu objetivo: encontrar o “Santo Graal”.
GABARITO: DEMANDA DO SANTO GRAAL
1. A obra se refere ao gênero épico, pois apresenta luta e grande heroísmo dos cavaleiros que enfrentavam quaisquer obstáculos, até mesmo a morte, para atingir o seu objetivo: encontrar o “Santo Graal”.
2. Paralelismo.
3. A Literatura tem como função o prazer, a comunicação, a sensibilização e a reflexão do ser humano diante do mundo.
4. Todos os cavaleiros temiam aquele lugar e chamavam de assento perigoso, segundo Merlim e todos os profetas, quem sentasse nele, teria morte súbita, ao não ser o cavaleiro escolhido que acabaria com as aventuras do reino de Logres, ou seja, finalizaria as aventuras do santo Graal.
Quem sentou no lugar perigoso foi Galaaz.
Quem sentou no lugar perigoso foi Galaaz.
5. a) Galvão: sobrinho do rei, impedido de ir na demanda, desleal, traidor.
b) Lancelot: filho do rei Ban e da rainha Helena, raptado pela Dama do lago, não era religioso, apaixonado por Guinevere – encontrava-se às escondidas com ela, valioso guereiro do rei Arthur, domador hábil de cavalos, cobiçado pelas damas da corte, casou-se com a filha do rei Penilare, foi desleal com rei Arthur.
c) Galaaz: personagem lendário, alcançou o santo Graal, filho de Lancelot, puro, único que podia sentar no lugar perigoso, casto e bondoso.
d) Morgana: meia irmã do rei Arthur, feiticeira maligna, teve um filho com o rei Arthur, ambiciosa.
e) Persival: filho de nobres, ajuda Galaaz a encontrar o Graal.
f) Arthur: figura lendária, guerreiro, religioso, cristão, defende a Grã-Bretanha dos invasores saxões.
b) Lancelot: filho do rei Ban e da rainha Helena, raptado pela Dama do lago, não era religioso, apaixonado por Guinevere – encontrava-se às escondidas com ela, valioso guereiro do rei Arthur, domador hábil de cavalos, cobiçado pelas damas da corte, casou-se com a filha do rei Penilare, foi desleal com rei Arthur.
c) Galaaz: personagem lendário, alcançou o santo Graal, filho de Lancelot, puro, único que podia sentar no lugar perigoso, casto e bondoso.
d) Morgana: meia irmã do rei Arthur, feiticeira maligna, teve um filho com o rei Arthur, ambiciosa.
e) Persival: filho de nobres, ajuda Galaaz a encontrar o Graal.
f) Arthur: figura lendária, guerreiro, religioso, cristão, defende a Grã-Bretanha dos invasores saxões.
6. O filho de Lancelot era Galaaz.
7. No Trovadorismo, a visão de mundo era teocêntrica, pois havia a dominação da cultura religiosa.
7. No Trovadorismo, a visão de mundo era teocêntrica, pois havia a dominação da cultura religiosa.
8. A besta ladradora é uma figura mística, diabólica, perseguida por um cavaleiro – Palamades, ser com pés de veado, cauda de leão, corpo de leopardo e cabeça de serpente, foi morta perto de um lago pelo seu perseguidor.
9. A demanda do santo Graal são as aventuras do Rei Arthur e dos cavaleiros da Távola Redonda que tinham como função encontrar o Santo Graal, isto é, o vaso onde fora recolhido o sangue de Cristo na cruz e que estava escondido no castelo de Corbenic, na Britânia.
10. A grande obra épica do classicismo português: Os Lusíadas. O seu escritor foi Luiz Vaz de Camões.
11. A obra Os Lusíadas apresenta a seguinte estrutura: dez cantos e 1102 estrofes, todas em oitava-rima. a) Introdução: proposição (1, 2, 3 estrofes); invocação (4 e 5 estrofes); dedicatória ou oferecimento (6 a 18 estrofes). b) Narração: (da estrofe 19 do Canto I até a estrofe 144 do Canto X).
12. A poesia lírica do Trovadorismo é chamada de Cantiga de Amigo e Cantiga de Amor: na primeira, o eu lírico masculino lamenta o distanciamento e a falta de correspondência amorosa da mulher amada; na segunda, o eu lírico feminino lamenta a ausência e a falta de reciprocidade amorosa do namorado. Já o lirismo clássico, inicialmente, o amor é visto como ideia universal, como abstração pura e perfeita, acima de todas as experiências individuais, porém, em seguida, abandona o neoplantonismo e manifesta seu desejo físico pela mulher amada.
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