EXERCÍCIO ESTRUTURAL – REVISÃO – TESTE - 1º BIM - 2ª série 2010
TEXTO I
Canção do Boêmio
Que noite fria! Na deserta rua
tremem de medo os lampiões sombrios.
Densa garoa faz fumar a lua,
ladram de tédio vinte cães vadios.
Nini formosa! Por que assim fugiste?
Embalde o tempo à tua espera conto.
Não vês, não vês?... Meu coração é triste
como um calouro quando leva ponto.
A passos largos eu percorro a sala,
fumo um cigarro que filei na escola...
Tudo no quarto de Nini me fala,
embalde fumo... tudo aqui me amola.
Diz-me o relógio, cinicando a um canto:
— Onde está ela que não veio ainda? -
Diz-me a poltrona: por que tardas tanto?
Quero aquecer-te, rapariga linda.
- Castro Alves –
1) A Canção do boêmio, definida pelo próprio Castro Alves como “ Comédia de Costumes Acadêmicos”, fez parte do que se chamava, na faculdade de Direito de São Paulo, “Meia hora de Cinismo”. Uma pessoa cínica é aquela que se opõe radicalmente aos valores culturais vigentes.
Por que o “eu-poético” diz que o relógio está cinicando?
2) O motivo pelo qual o eu-poético está ansioso é, evidentemente, a ausência de Nini, uma namorada. O atraso da amada e sua posterior chegada provocam nele reações antitéticas. Cite esses dois momentos.
3) Sintaticamente esse sentimento do eu-lírico é chamado de predicativo. Retire da segunda estrofe um verso que tenha um exemplo de predicativo. Assinale-o.
4) Qual é a função sintática dos termos destacados no seguinte verso:
“Diz-me (I) o relógio (II), cinicando a um canto:”
5) “Não vês, não vês? ... Meu coração é triste
Como um calouro quando leva ponto.” (1,0)
a) Por que o coração do eu-lírico é triste como um calouro?
b) Como classificamos o sujeito dos verbos: VÊS, É. Identifique-os se possível:
TEXTO II
Lembrança de morrer
Quando em meu peito rebentar-se a fibra
Que o espírito enlaça à dor vivente,
Não derramem por mim nenhuma lágrima
Em pálpebra demente.
E nem desfolhem na matéria impura
A flor do vale que adormece ao vento:
Não quero que uma nota de alegria
Se cale por meu triste pensamento.
Eu deixo a vida como deixo o tédio
Do deserto, o poento caminheiro
- Como as horas de um longo pesadelo
Que se desfaz ao dobre de um sineiro;
Como desterro de minha alma errante,
Onde fogo insensato a consumia:
Só levo uma saudade – é desses tempos
Que amorosa ilusão embelecia.
(...)
(Álvaro de Azevedo)
6) A função emotiva da linguagem, predominante no poema, revela uma característica do Romantismo. Qual?
7) Em que versos o poeta deixa claro que para ele a morte seria um alívio?
8) Que visão o eu lírico tem da existência humana?
9) O texto II faz referência a que geração romântica? Nomeie a geração e justifique.
10) Dê a predicação das formas verbais, retiradas do texto II: DERRAMEM; ADORMECE; DESFOLHEM; DESFAZ.
11) “Quando em meu peito rebentar-se a fibra”
“Onde fogo insensato a consumia:”
Há diferença sintática entre os termos destacados. Comente.
TEXTO III
“No meio das tabas de amenos verdores,
Cercadas de troncos – cobertos de flores,
Alteiam-se os tetos d’altiva nação;
São muitos seus filhos, nos ânimos fortes,
Temíveis na guerra, que em densas coortes
Assombram das matas a imensa extensão.
São rudes, severos, sedentos de glória,
Já prélios incitam, já cantam vitória,
Já meigos atendem à voz do cantor:
São todos Timbiras, guerreiros valentes!
Seu nome lá voa na boca das gentes,
Condão de prodígios, de glória e terror!”
(Gonçalves Dias)
12) Retire da primeira estrofe do fragmento (Texto III) expressões que revelam idealização da natureza.
13) Como são caracterizados os Timbiras? Essa caracterização nos remete a que fato histórico?
14) A que geração romântica o fragmento (Texto III) se refere? Nomeie a geração e justifique.
15) Identifique, se possível, o sujeito e classifique-o das seguintes formas verbais, retiradas do texto III: ALTEIAM; ASSOMBRAM; VOA; SÃO (nas três ocorrências).
16) Dê a predicação ou transitividade dos verbos abaixo, retirados do texto III:
ALTEIAM; SÃO; ASSOMBRAM; INCITAM; ATENDEM.
17) “Já meigos atendem à voz do cantor:”
“São rudes, severos, sedentos de glória,
Já prélios incitam, já cantam vitória,”
Comente a diferença morfossintática das palavras assinaladas acima:
GABARITO (EXERCÍCIO ESTRUTURAL – REVISÃO TESTE - 1º BIM
1. Ele acha que o relógio o engana, pois a sua amada não chega para acabar com sua ansiedade.
2. A falta de experiência na relação amorosa, deixa-o inquieto e ansioso, pois deseja desesperadamente ter a amada nos braços.
3. “Meu coração é triste”
4. ME – Objeto indireto; O RELÓGIO – Sujeito simples.
5. a) Porque não tem experiência na relação amorosa.
b) Vês: desinencial (tu); e: simples – meu coração
6. O subjetivismo
7. “Eu deixo a vida como deixo o tédio/ Do deserto, o poento caminheiro.”
8. Uma visão pessimista.
9. Ultrarromântica ou Byronismo ou Mal do século. Apresenta intenso sentimentalismo, subjetividade, o desejo de morrer e visão pessimista.
10. derramem: verbo transitivo direto e indireto; adormece: verbo intransitivo; desfolhem: verbo transitivo direto; desfez: verbo transitivo direto.
11. Sim, pois o termo “a fibra” é sujeito, e o pronome “a”, objeto direto.
12. “amenos verdores, cercadas de troncos, cobertos de flores”
13. altivos, guerreiros, destemidos, valentes e orgulhosos. Era medieval.
14. Indianismo, pois há a valorização da cultura indígena, como também a caracterização do índio como grande herói.
15. alteiam: os tetos – sujeito simples; assombram: sujeito desinencial (eles); voa: seu nome – sujeito simples; são (1º): seu filho – sujeito simples; são (2º): desinencial (eles); são (3º): todos – sujeito simples.
16. alteiam: verbo transitivo direto; são: verbo de ligação; assombram: verbo transitivo direto; incitam: verbo transitivo direto; atendem: verbo transitivo indireto.
17. meigos: adjetivo/predicativo sujeito; voz: substantivo/núcleo do objeto indireto; severos: adjetivo/ predicativo do sujeito; prélios: substantivo/ objeto direto; vitória: substantivo/ objeto direto.
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