domingo, 9 de setembro de 2012

LUIZ DE CAMÕES GABARITO das páginas 321 a 327 p. 321 1. a) O eu lírico se dirige ao seu filho Cláudio, a quem dedica o poema. b) Estão na 2ª pessoa do singular porque se referem ao sujeito tu. 2. a) Pertencem à classe dos substantivos. b) Eles estão no masculino singular porque concordam em gênero e número com o substantivo. 3. O poema traz uma visão positiva sobre o futuro, pois o eu lírico será o “húmus do Homem Novo”. p. 322 1. A , D p. 323 2. C, D 3. Sim, porque o núcleo do sujeito está determinado pela palavra mulheres, logo o verbo pode ficar no plural. p. 324 4. a) recebia/ recebeu b) distraem c) exigem d) ireis/ irão e) pode/ poderá 5. a) “mais da metade da população mundial” b) O verbo concorda no plural porque Filipe se inclui como sujeito. c) sim, trata-se de uma concordância semântica, pois o emissor se inclui no sujeito. p. 325 6. O mundo não funciona bem nas mãos dos adultos e poderá, com domínio das crianças, ser melhor. 7. a) Ele parece ser o presidente ou auto funcionário do Sindicato dos Corruptos do Brasil. b) Ele fala como representante do sindicato, ele se refere a si próprio e aos outros corruptos. c) O cartunista colocou na voz da personagem a ideia de inclusão social, beneficiando aos parentes (nepotismo). 8. C p. 326 1. B (Em minha classe o líder sou eu) 2. a) Daqui até o muro, são cinco metros. b) Aquilo eram restos de jantar. c) Amanhã é dia 27 de maio/ Amanhã são 27 de maio. d) Teatro é o nosso lazer cultural. e) Apressem-se, pois já são seis horas. f) O responsável pela biblioteca sou eu. p. 327 1. a) haverá b) faz c) devem d) há/ aconteceram e) bateu/ faltam 2. a) faz meses... b) Havia ainda... alunos c) Fizeram-se as listas... d) devem existir meios mais fáceis de ... e) Não se fabricam mais estes automóveis conversíveis... f) ... depende-se de verbas mais generosas. 3. Fazia – existiam – resolviam-se 4. a) Haja vista aos critérios.../ hajam vista os critérios... b) Os resultados das pesquisas parecem apresentar...

segunda-feira, 2 de julho de 2012

REVISÃO: ORAÇÕES SUBORDINADAS 1. Leia o seguinte trecho: Clareou. Acordei na mesma cama, sozinho, com um cobertor sobre mim. Procurei uma sombra no teto que me mostrasse o próximo passo, mas não encontrei nenhuma. Levantei e desci a escada enrolado no cobertor. Na cozinha a mesa posta. Sentei e apoiei a cabeça nas mão, denunciando uma impiedosa ressaca. Bati os olhos na capa do jornal do dia: um retrato falado do criminoso do Hotel Empire. Era para ser meu retrato. Mas, surpreendentemente, não tinha nada a ver comigo: as testemunhas não conseguiram me descrever, ou não quiseram. (Marcelo Rubens Paiva. Bala da Agulha.) a) Transforme a relação coordenativa alternativa da última oração do trecho em uma sobordinada condicional, mantendo o significado original. Faça apenas as modificações necessárias. b) Transforme a relação coordenativa adversativa, presente na última oração do 2º parágrafo, em subordinada concessiva, mantendo o significado original. Faça apenas as modificações necessárias. 2. Leia o fragmento: Contam que a mesma coisa aconteceu com o primeiro homem a escalar o Everest. Para começar, quando chegou no topo, no cume da montanha mais alta da Terra, ele tirou um banquinho da sua mochila, colocou o banquinho exatamente no pico do Everest e subiu em cima do banquinho! O guia nativo que o acompanhava não entendeu nada. Se entendesse, estaria entendendo o homem branco e toda a história do Ocidente (Luís F. Veríssimo. Comédias da Vida privada) a) Transcreva dele uma oração subordinada adverbial temporal, indicando a que oração ela é subordinada. b) Analise morfossintaticamente as duas ocorrências da palavra que. c) Explique a estrutura sintática do último período. d) Retire do fragmento acima uma oração que exerça a mesma função sintática que o termo nada. e) Substitua a conjunção se presente no último período por outra do mesmo sentido, porém mais enfática. f) Qual a função sintática da 1ª oração do 2º período. g) “O guia nativo que o acompanhava não entendeu nada.” Se colocássemos vírgulas antes e depois da oração destacada, ela continuaria com o mesmo valor semântico? Comente a diferença se houver. 3. Explique a diferença que existe entre o emprego do verbo haver, em “havia muitas estrelas” e na oração “haviam contado muitas estrelas”. 4. Leia o soneto abaixo: Perdi o bonde e a esperança. Volto pálido para casa. A rua é inútil e nenhum auto passaria sobre o meu corpo. Vou subir a ladeira lenta em que os caminhos se fundem. Todos eles conduzem ao princípio do drama e da flora. Não sei se estou sofrendo ou se é alguém que se diverte por que não? Na noite escassa com um insolúvel flautim. Entretanto há muito tempo Nós gritamos: sim! Ao eterno. (Carlos Drummond de Andrade. In Grandes sonetos da nossa língua.) a) Em que outro momento do poema duas objetivas diretas aparecem coordenadas entre si? Transcreva-as. Justificando o uso da conjunção integrante. b) Transforme a relação coordenativa adversativa, presente na última estrofe, em subordinada concessiva, mantendo o sentido original. Faça apenas as modificações necessárias. Leia o poema abaixo: Chega de saudade Vai minha tristeza E diz a ela Que sem ela não pode ser Diz-lhe numa prece Que ela regresse Porque eu não posso mais sofrer Chega de saudade A realidade é que sem ela Não há paz, não há beleza É só tristeza, e a melancolia Que não sai de mim, não sai de mim Não sai. Mas se ela voltar Se ela voltar, que coisa linda Que coisa louca Pois há menos peixinhos a nadar no mar Do que os beijinhos que eu darei Na tua boca... Dentro dos meus braços Os abraços hão de ser Milhões de abraços apertados assim Colado assim, calado assim Abraços e beijinhos e carinhos Que é pra acabar com esse negócio De viver longe de mim. (Vinícius de Moraes e Tom Jobim) a) Transcreva do poema uma oração subordinada substantiva predicativa. b) Em que oração o poeta traduz uma condição para sua felicidade? c) Que comparação o poeta estabelece para exprimir a quantidade de carinho que quer dedicar à amada? d) “(...)hão de ser milhões de abraços (...)” para “(...)acabar com esse negócio (...)”. Que relação sintática há entre essas duas orações? Classifique-as.

quinta-feira, 7 de junho de 2012

PRONOMES RELATIVOS – CONEXÃO 1. Subordine a 2ª oração à 1ª, utilizando-se de pronome relativo como conectivo: a) O rapaz chegou atrasado. Esperávamos o rapaz. b) A cor é azul. A cor agrada-me. c) A ajuda não chegou. Contávamos com a ajuda. d) A quantia é muito grande. Precisamos da quantia. e) O problema é o número três. Referi-me ao problema. f) O bairro é muito perigoso. Moro no bairro. g) O engenheiro fez um trabalho genial. Trabalho para o engenheiro. h) Os ideais eram vazios. Lutei pelos ideais. i) A mulher me abandonou. Não posso viver sem ela. j) O juiz me absolveu. Compareci perante o juiz. k) O político merece respeito. Lutei contra o político. l) O campo está careca. As linhas do campo foram pintadas. m) O rapaz mostrou-se honrado. A honestidade do rapaz foi questionada. n) O sapato é de cromo. O salto do sapato se soltou. o) O tio sempre me protegeu. Hospedei-me na casa dele. p) A agulha apareceu em boa hora. Furei a bolha com a ponta da agulha. q) A menina trouxe-me lembranças de Minas. Tenho saudades dos pais da menina. r) A região fica no extremo sul do país. Referi-me às plantações da região. s) O tribunal reconheceu-me inocente. Fui arrastado às barras do tribunal. t) O professor reconheceu seus erros. Levantei-me contra as ideias dele. u) Está em ruínas a igreja. Jurei voto de castidade diante do altar da igreja. v) Já lhe posso emprestar o livro. Resolvi todos os problemas por meio dos ensinamentos do livro. w) Aquele templo sempre me trouxe paz de espírito. Debaixo do telhado do templo fiz minhas orações. x) A mansão está à venda. Passamos as férias dentro dos muros da mansão. y) Agora desprezo a mulher. Fiz loucuras por causa dos beijos da mulher. z) A sua música pode cair no gosto popular. Gostei dos acordes da sua música. 2. Preencha as lacunas com o pronome relativo adequado (preposicionado ou não): a) Achei o livro ..........procuramos tanto. b) Eis o homem .......... te procurou. c) Aqui está o projeto .......... me pediste. d) Esta é a proposta .......... concordo. e) Este é o assunto .......... discordo. f) O livro .......... aludi é de Manuel Bandeira. g) A viagem .......... desisti me era impossível. h) O município ......... moro tem problemas de difícil resolução. i) A moça ..........olhos me enfeitiçaram me brindou com um sorriso promissor. j) Os funcionários .......... opinião contávamos não se pronunciaram. k) A religião ......... seio me criei me conforta nos momentos difíceis. l) O seu cabelo, .......... fios estão opacos e quebradiços, precisa de um tratamento adequado. m) O livro .......... título esqueci me faz falta. n) O livro .......... título me esqueci me faz falta. o) O jato .......... qualidades fez referência já está sendo exportado pela Embraer. p) A camisa .......... faltam botões é a azul. q) O goleiro .......... vôo evitou o gol vai chegar à seleção. r) O nome .......... letras de forma formam o anagrama AMÉRICA é Iracema. s) O sorriso .......... colhi em seus lábios foi enganoso. t) As árvores .......... galhos se escondem vários animais têm mais de cem anos. u) O cão .......... dentes me rasgaram as calças me causou grande medo. v) O livro Mar Morto .......... autor é uma das glórias nacionais, focaliza a vida dos homens do cais. w) O representante da turma .......... me visitou propôs uma festa de formatura. (O representante me visitou) x) O representante da turma .......... me visitou propôs uma festa de formatura. (A turma me visitou) y) Na região .......... habito faz muito frio no inverno. z) A jovem mulher ........ respeito muito é a minha grande paixão. 3. Dê o valor sintático dos pronomes relativos das questões 1 e 2.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

GRAMÁTICA – REVISÃO - PROVA FINAL

1. Reescreva as frases abaixo, corrigindo-as, se necessário:

a) É necessário a reivindicação de trabalhador.
b) Deve existir vários trabalhadores no cais.
c) Quanto de nós recebemos o prêmio escolar


2. Complete as lacunas das frases abaixo, flexionando os verbos indicados entre parênteses no presente do indicativo.

a) O relógio da central ...................................................(soar) três horas.
b) ...................................................(falar) se em lugares públicos.
c) Hoje ..........................................(dever/fazer) cinco anos que ela saiu de casa.
d) Nenhum de nós ................................................(permanecer) até muito tarde.
e) Mais de um aluno ..................................(fazer) parte dessa comunidade.

3. I – Naquela chácara, ouviam-se muitos gemidos. PAS
II - “Acredita-se muito naquela pessoa”. PIS

Baseado no conhecimento morfológico da palavra SE, comente as flexões verbais destacadas:


4. Um clube convidou seus associados para uma festa, publicando em um de seus boletins informativos o seguinte texto:

O Clube de Jacarepaguá programou para o dia 12 de outubro a maior festa do chope que o Clube já realizou. Comidas típicas, churrasco e muito chope distribuídos gratuitamente a noite toda.

Um rapaz, sócio do clube, foi à festa sem jantar e sem levar dinheiro. Lá chegando, constatou que o chope era gratuito, mas, para sua surpresa, a comida e o churrasco eram pagos.

Pergunta-se: o rapaz leu erradamente o convite, ou foi o clube que o redigiu mal? Explique sua resposta.

5. Todas as concordâncias nominais estão corretas, exceto:

a) Escolhemos má hora e lugar para a festa
b) seguem anexo as notas promissórias.
c) A justiça declarou culpados o réu e a ré.
d) A moça usava uma blusa verde-clara.
e) Estou quite com meus compromissos.

6. Indique a alternativa que completa, respectivamente, as lacunas das frases a seguir, de acordo com a norma culta.

I - É uma situação________nunca nos esqueceremos.
II - A situação______chegamos é ímpar.
III - A reportagem,________teor discordei, foi censurada.
IV - É uma revelação______os fatos merecem uma análise detalhada.
V - É uma situação_____se deve evitar.

a) que / em que / de cujos / cujos / que
b) da qual / a que / cujo / que / por que
c) de que / a que / cujo / cujos / que
d) da qual / em que / cujo /cujos / a que
e) de que / a que / de cujo /em que / que

7. A frase em que a regência verbal está INCORRETA é:

a) Você e sua empresa devem e agora podem ter à sua disposição um consultor econômico experiente.
b) A homenageada, com muita emoção, deu as boas-vindas e cedeu seu lugar de honra à veterana atriz.
c) Calendários com obra de arte: para cada mês, uma obra de arte, que você destaca, emoldura e decora sua residência ou escritório.
d) A nova imagem da grife é um rejuvenescimento que atrairá e modernizará as pessoas acostumadas ao guarda-roupa tradicional.
e) Contra todas as evidências e análises, os jovens de hoje mostram que estão preocupados, e sabendo lidar responsavelmente, com sua sexualidade.

8. Assinalar a alternativa que preenche corretamente as lacunas das seguintes orações:

I. Precisa falar____cerca de três mil operários.
II. Daqui____alguns anos tudo estará mudado.
III. ____dias está desaparecido.
IV. Vindos de locais distantes, todos chegaram____tempo____reunião.

a) a - a - há - a - à
b) à - a - a - há - a
c) a - à - a - a - há
d) há - a - à - a - a
e) a - há - a - à - a
9. Quais as formas que completam pela ordem, as lacunas das frases abaixo?

Daqui ... pouco vai começar o exame.
Compareci ... cerimônia de posse do novo governador.
Não tendo podido ir ... faculdade hoje, prometo assistir ... todas as aulas amanhã.

( ) à – a – a – à
( ) há – na – à – a
( ) a – há – na – a
( ) há – na – à – à
( ) a – à – à – a


10. A estrofe abaixo é de Cruz e Sousa, e, nela, estão os seguintes elementos típicos da poesia simbolista:

“Faz descer sobre mim os brandos véus da calma,
Sinfonia da Dor, ó Sinfonia muda,
Voz de todo meu Sonho, ó noiva da minh’alma,
Fantasma inspirador das Religiões de Buda.”

a) realidade urbana, linguagem coloquial, versos longos.
b) erotismo, sintaxe fluente e direta, ironia.
c) desprezo pela métrica, linguagem concretizante, sátira.
d) filosofia materialista, linguagem rebuscada, exotismo.
e) misticismo, linguagem solene, valorização do inconsciente.


11 - I - “...Da casa do Barão saíam clamores apopléticos...”
II “...O pátio e a rua enchiam-se agora de camas velhas e colchões espocados...”

Responda as propostas abaixo:

a) Reescreva as frases anteriores, colocando o vocábulo bastante antes da palavra clamores e espocados, respectivamente. Faça, se necessário, adequação.

b) Dê a classificação morfológica da palavra bastante empregada nos dois casos.







Vaso Grego
Esta de áureos relevos, trabalhada
De divas mãos, brilhante copa, um dia,
Já de aos deuses servir como cansada,
Vinda do Olimpo, a um novo deus servia.

Era o poeta de Teos que o suspendia
Então, e, ora repleta ora esvasada,
A taça amiga aos dedos seus tinia,
Toda de roxas pétalas colmada.

Depois... Mas, o lavor da taça admira,
Toca-a, e do ouvido aproximando-a, às bordas
Finas hás de lhe ouvir, canora e doce,

Ignota voz, qual se da antiga lira
Fosse a encantada música das cordas,
Qual se essa voz de Anacreonte fosse.
(Alberto de Oliveira)

12. O texto acima é um exemplo bem característico do Parnasianismo. Mas, para uma boa análise de qualquer texto, não se deve levar em conta apenas o aspecto formal; também o temático deve ser apreciado.
a) Quanto à temática desenvolvida, o texto é característico do Parnasianismo? Justifique sua resposta.
b) Diz-se que o homem parnasiano busca o ideal de “arte pela arte”. Como deve ser entendido esse ideal no texto acima?

c) Leia o texto I e observe se há ou não características parnasianas que justificam o ideal do poeta desse estilo. Agora, comente se o texto I atinge o ideal do poeta parnasiano.
d) Qual o sujeito da forma verbal fosse no último verso

13. . I - “Viam-se deslizar pela praça os imponentes e monstruosos abdomens dos capitalistas(...)”
II - “Gritava-se muito naquela hora”. (Aluísio Azevedo, O Mulato)

Baseado no conhecimento morfológico da palavra SE, comente as flexões verbais destacadas:

14.. Observe este texto, criado para propaganda de embalagens:
AO FINAL DO PROCESSO DE RECICLAGEM, AQUELE LIXO DE LATA VIRA LATA DE LUXO, EMBALANDO AS BEBIDAS QUE TODO MUNDO GOSTA, DAS MARCAS QUE TODO MUNDO PODE CONFIAR.

a) Reescreva, corrigindo-os, o(s) segmento(s) do texto que apresente(m) algum desvio em relação à norma gramatical.

b) Comente, quanto à regência, o(s) desvio(s) cometido(s) no texto publicitário.

15. O texto abaixo apresenta erros quanto à regência, corrija-o:

.
VIDA

O SOL BRILHA NA ALMA
ASPIRA UMA VIDA INCESSANTE
ASSISTE A VIDA QUE PASSA
E MARCA AS ESTRADAS NO CORPO.

PREFERE MAIS O BRILHO DA FLOR
DO QUE OS RASTROS NAS PÉTALAS,
MAS LEMBRA DO RIO QUE PASSA
QUE VAI EM ALGUM LUGAR.

A VIDA É A VIDA
QUE PULSA INTENSAMENTE
QUE QUER A VIDA DO OUTRO,
POIS VISA A ETERNIDADE.

(Vitor Dias)

sábado, 12 de novembro de 2011

A Hora da Estrela, de Clarice Lispector

ANÁLISE DA OBRA

Estrutura da obra

É uma obra composta de três histórias que se entrelaçam e que são marcadas, principalmente, por duas características fundamentais da produção da autora: originalidade de estilo e profundidade psicológica.

As três histórias que se entrelaçam:

1. A metanarrativa - Rodrigo S. M. conta a história de Macabéa: Esta é a narrativa central da obra: o escritor Rodrigo S.M. conta a história de Macabéa, uma nordestina que ele viu, de relance, na rua.2. A identificação da história do narrador com a da personagem - Rodrigo S.M. conta a história dele mesmo: esta narrativa dá-se sob a forma do encaixe, paralela à história de Macabéa. Está presente por toda a narrativa sob a forma de comentários e desvendamentos do narrador que se mostra, se oculta e se exibe diante dos nossos olhos. Se por um lado, ele vê a jovem como alguém que merece amor, piedade e até um pouco de raiva, por sua patética alienação, por outro lado, ele estabelece com ela um vínculo mais profundo, que é o da comum condição humana. Esta identidade, que ultrapassa as questões de classe, de gênero e de consciência de mundo, é um elemento de grande significação no romance, Rodrigo e Macabéa se confundem.
3. A vida de Macabéa - O narrador conta como tece a narrativa.
Narrador e protagonista, inseridos em uma escrita descontínua e imprevisível, permitem ao leitor a reflexão sobre uma época de transição, de incoerência, como um movimento em busca de uma nova estruturação da obra literária similar à insegurança, à ansiedade e ao sofrimento. O tema é oferecido, socializando a possibilidade de ruptura.
O narrador revela seu amor pela personagem principal e sofre com a sua desumanização, mas, também, critica-a por não reagir perante a vida.

Linguagem:

A linguagem narrativa de Clarice é, às vezes, intensamente lírica, apresentando muitas figuras de estilos, como: metáforas, comparações, paradoxos. Há também construção de frases inconclusas e outros desvios da sintaxe convencional, além da criação de alguns neologismos. O narrador discute a importância da palavra e o fazer narrativo.

Foco narrativo

O recurso usado por Clarice Lispector é o narrador-personagem, pois conforme nos faz conhecer a protagonista, também nos faz conhecê-lo. Ele escreve para se compreender. É um marginalizado conforme lemos: "Escrevo por não ter nada a fazer no mundo: sobrei e não há lugar pra mim na terra dos homens". Quanto à sua relação com Macabéa, ele declara amá-la e compreendê-la, embora faça contínuas interrogações sobre ela e embora pareça apenas acompanhando a trajetória dela, sem saber exatamente o que lhe vai acontecer e torcendo para que não lhe aconteça o pior.
Macabéa, a protagonista, é uma invenção do narrador com a qual se identifica e com ela morre. A personagem é criada de forma onisciente (tudo sabe) e onipresente (tudo pode). Faz da vida dela um aprendizado da morte. A morte foi a hora de estrela.

Espaço / Tempo

O Rio de Janeiro é o espaço. Ocorre que o espaço físico, externo, não importa muito nesta história. O "lado de dentro" das criaturas é o que interessa aos intimistas.
Pelos indícios que o narrador nos oferece, o tempo é época em que Marylin Monroe já havia morrido - possivelmente a década de 60 em seu fim ou a de 70 em seus começos - mas faz ainda um grande sucesso como mito que povoa a cabeça e os sonhos de Macabéa.
Embora a história de Macabea seja profundamente dramática, a narrativa é toda permeada de muito humor e ironia. O próprio nome da protagonista constitui-se numa grande ironia.

Personagens

Macabéa: Alagoana, 19 anos e foi criada por uma tia beata que batia nela (sobre a cabeça, com força); completamente inconsciente, raramente percebe o que há à sua volta. A principal característica de Macabéa é a sua completa alienação. Ela não sabe nada de nada. Feia, mora numa pensão em companhia de quatro moças que são balconistas nas Lojas Americanas (Maria da Penha, Maria da Graça, Maria José e Maria). Macabéa recebe o apelido de Maca e é a protagonista da história. Possivelmente o nome Macabéa seja uma alusão aos macabeus bíblicos, sete ao todo, teimosos, criaturas destemidas demais no enfrentamento do mundo; a alusão, no entanto, faz-se pelo lado do avesso, pois Macabéa é o inverso deles.

Olímpico: Olímpico se apresentava como Olímpico de Jesus Moreira Chaves. Trabalhava numa metalúrgica e não se classificava como "operário": era um "metalúrgico". Ambicioso, orgulhoso e matara um homem antes de migrar da Paraíba. Queria ser muito rico, um dia; e um dia queria também ser deputado. Um secreto desejo era ser toureiro, gostava de ver sangue.

Rodrigo S. M.: Narrador-personagem da história. Ele tem domínio absoluto sobre o que escreve. Inclusive sobre a morte de Macabéa, no final.

Glória: Filha de um açougueiro, nascida e criada no Rio de Janeiro, Glória rouba Olímpico de Macabéa. Tem um quê de selvagem, cheia de corpo, é esperta, atenta ao mundo.

Madame Carlota: É a mulher de Olaria que porá as cartas do baralho para "ler a sorte"de Macabéa. Contará que foi prostituta quando jovem, que depois montou uma casa de mulheres e ganhou muito dinheiro com isso. Come bombons, diz que é fã de Jesus Cristo e impressiona Macabéa. Na verdade, Madame Carlota é uma enganadora vulgar. As quatro Marias que moram com Macabéa no mesmo quarto, o médico que a atende e diagnostica a gravidade da tuberculose e o chefe, seu Raimundo, que reluta em mandá-la embora.

Enredo

O enredo de A hora da Estrela não segue uma ordem linear: há flashbacks iluminando o passado, há idas e vindas do passado para o presente e vice-versa. Além da alinearidade, há pelo menos três histórias encaixadas que se revezam diante dos nossos olhos de leitor:

Macabéa (Maca) foi criada por uma tia beata, após a morte dos pais quando tinha dois anos de idade. Acumula em seu corpo franzino a herança do sertão, ou seja, todas as formas de repressão cultural, o que a deixa alheia de si e da sociedade. Segundo o narrador, ela nunca se deu conta de que vivia numa sociedade técnica onde ela era um parafuso dispensável.
Ignorava até mesmo porque se deslocara de Alagoas até o Rio de Janeiro, onde passou a viver com mais quatro colegas na Rua do Acre. Macabéa trabalha como datilógrafa numa firma de representantes de roldanas, que fica na Rua do Lavradio. Tem por hábito ouvir a Rádio Relógio, especializada em dizer as horas e divulgar anúncios, talvez identificando com o apresentador a escassez de linguagem que a converte num ser totalmente inverossímil no mundo em que procura sobreviver. Tinha como alvo de admiração a atriz norte-americana Marilyn Monroe, o símbolo social inculcado pelas superproduções de Hollywood na década de 1950.
Macabéa recebe de seu chefe, Raimundo Silveira, por quem ela estava secretamente apaixonada, o aviso de que será despedida por incompetência. Como Macabéa aceita o fato com enorme humildade, o chefe se compadece e resolve não despedi-la imediatamente.
Seu namorado, Olímpico de Jesus, era nordestino também. Por não ter nada que ajudasse Olímpico a progredir, ela o perde para Glória, que possuía atrativos materiais que ele ambicionava.
Glória, com certo sentimento de culpa por ter roubado o namorado da colega, sugere a Macabéa que vá a uma cartomante, sua conhecida. Para isso, empresta-lhe dinheiro e diz-lhe que a mulher, Madame Carlota, era tão boa, que poderia até indicar-lhe o jeito de arranjar outro namorado. Macabéa vai, então, à cartomante, que, primeiro, lhe faz confidências sobre seu passado de prostituta; depois, após constatar que a nordestina era muito infeliz, prediz-lhe um futuro maravilhoso, já que ela deveria casar-se com um belo homem loiro e rico - Hans - que lhe daria muito luxo e amor.
Macabéa sai da casa de Madame Carlota 'grávida de futuro', encantada com a felicidade que a cartomante lhe garantira e que ela já começava a sentir. Então, logo ao descer a calçada para atravessar a rua, é atropelada por um luxuoso Mercedes Benz amarelo. Esta é a hora da estrela de cinema, onde ela vai ser "tão grande como um cavalo morto".
Ao ser atropelada, Macabéa descobre a sua essência: “Hoje, pensou ela, hoje é o primeiro dia de minha vida: nasci”. Há uma situação paradoxal: ela só nasce, ou seja, só chega a ter consciência de si mesma, na hora de sua morte. Por isso antes de morrer repete sem cessar: “Eu sou, eu sou, eu sou, eu sou”. Por ter definido a sua existência é que Macabéa pronuncia uma frase que nenhum dos transeuntes entende: “Quanto ao futuro.” (...) “Nesta hora exata Macabéa sente um fundo enjôo de estômago e quase vomitou, queria vomitar o que não é corpo, vomitar algo luminoso. Estrela de mil pontas.”
Com ela morre também o narrador, identificado com a escrita do romance que se acaba.